Furto da Memória Histórica de Itabuna
Por Francisco Aleluia
Ainda sob as luzes comemorativas dos 115 anos de emancipação política de Itabuna lamentável e repugnante foi a ocorrência do furto do busto do Comendador Henrique Alves, um expoente da memória histórica da cidade de Itabuna. Tal atitude, não evidencia apenas atos de vandalismos, mas um total desrespeito à figura história de Henrique Alves e sua luta na construção da independência e emancipação político-administrativa da cidade de Itabuna, antes conhecida como Tabocas.

Na manhã desta quarta-feira, 30, o monumento instalado na primeira praça erguida em Itabuna, localizado na Praça Santo Antônio, Centro da Cidade, estava vazio, sem o busto de um dos seus fundadores. Apenas uma coluna de mármore gélido e pálido a chorar sua ausência. Mas para quem conhece um pouco da história de Itabuna deve saber de outros casos envolvendo roubo de danos ao patrimônio histórico e artísticos ocorridos em nossa cidade. Na década de 2020, o furto do busto de uma das mulheres que figuram as páginas da nossa história, a Srª Laura conceição, foi furtado do pedestal onde repousava. Laura Conceição foi uma mulher além do seu tempo; uma costureira devota de São José, radicada na cidade de Itabuna no ano de 1920, humilde mulher, encapou uma campanha de recolhimento de doações para a construção da Igreja Catedral de Itabuna, que levou o nome do padroeiro da cidade, São José. O início das obras se deu no ano de 1943 e levou 16 anos até a sua inauguração, em 1959. Não houve festa. A Srª Maria Laura Conceição encontrava-se na Capital do Estado em tratamento de saúde. A Catedral de São José, passa então a ser “[…] uma das mais importantes igrejas do interior do Estado.” (FOGUEIRA, 2011, p. 151).
O Busto, à época, ficava na praça que hoje leva seu nome, em frente à Catedral São José quando foi furtado. Este episódio sórdido e triste da nossa história ganhou asas e voou além muros da cidade ganhando destaque na imprensa nacional.
Outro fato de desrespeito aos nossos símbolos culturais e históricos foi a depredação da estátua do nosso ilustre escritor itabunenses, Jorge Amado. Instalado na entrada do bairro de Ferradas, às margens da BR 415, a estátua foi danificada por vândalos que a perfuraram usando arma de fodo, paus e pedras. Os reais motivos para tal ato criminoso não se sabe ao certo. Uns alegam a repulsa de uma minoria desinformada em protestos contra a suposta “negação” do escritor em ser itabunenses, grapiúna, o que até hoje não passa de folclore. Para outros, prática de vandalismo gratuito de quem não se importa com a cultura e a memória histórica de um povo. Esse fato entristece a todos os munícipes, principalmente aqueles que conhecem a nossa história. Tal história que deveria ser mais bem trabalhada em nossas escolas como tema transversal e, por falta desse trabalho, a grande maioria dos nossos estudantes desconhecem, por completo, história de Itabuna e seus personagens.
Felizmente, o busto, mesmo totalmente danificado, foi encontrado pelas autoridades municipais. Os vândalos não levaram somente o busto, mas as letras que enunciavam o nome do comendador Henrique Alves.
FONTE: FOGUEIRA, Manoel Bomfim. Ensaios históricos de Itabuna: O Jequitibá da Taboca, 1849-1960 – 2ª Ed. rev. e ampl. – Ilhéus: Editus, 2011.